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Novas centralidades na perspectiva da relação centro - periferia (2009)

"De acordo com Sabatini in Oliveira (2001), as cidades passam por transformações em sua forma urbana, isto de acordo com a segregação social do espaço. Abaixo seguem os três pontos destacados pelo autor que apresentam as mudanças nas cidades quanto a sua forma:
a) Descentralização da estrutura urbana em subcentros comerciais, de escritórios e produtivos;
b) A explosão da mancha urbana sobre a região circundante, com base em uma série de desenvolvimentos isolados que ficam conec-tados entre si e com a cidade através de estradas e outras formas de comunicação;
c) Novas formas de segregação social do espaço. Os condomínios fechados – ou gated communities – constituem uma modalidade muito difundida, mas também são importantes os grandes projetos imobiliários multifuncionais na periferia ou na região próxima às cidades. Os condomínios podem ser de baixa densidade ou corresponder à proliferação de formas de ocupação residencial de rendas altas e médias em áreas rurais das cidades, em geral fora das normas urbanas – é o aparecimento da cidade informal dos ricos. (SABATINI in OLIVEIRA, 2001, p. 168)."

"Neste processo de redefinição da relação centro-periferia, algumas dinâmicas são significativas devido ao impacto que provocam na estrutura do espaço urbano. Spósito (2001) apresenta três pontos a saber:
a. Nova lógica das indústrias com relação ao espaço (flexibilização do uso do espaço), através da diminuição das plantas industriais e separação entre gestão e produção, sendo que esta última concentrando-se na periferia;
b. Nova configuração do habitat urbano e diferentes formas de assentamentos humanos. Instalação de conjuntos habitacionais na periferia de metrópoles, grandes e médias cidades para população de baixo poder aquisitivo. Para população de classe média e alta os villages que divulgam a qualidade de vida, localizando-se fora e dentro das áreas urbanas e tem-se também as cidades satélites, exemplo Brasília, nas quais a função sócio-econômica está atrelada ao planejamento urbano;
c. Novas localizações de equipamentos de consumo e prestação de serviços (shoppings-centers, hipermercados, centros empresariais, outros), que geralmente se instalam em áreas antes não loteadas, assim reforçando a produção de novas centralidades ou a polinucleação."


"as novas estratégias econômicas e locacionais de grandes grupos econômicos comerciais e de serviços interferem diretamente na estrutura urbana, alterando as relações do centro com o seu entorno e, também, com as suas áreas periféricas (distantes). Portanto, a concentração e descentralização que ocorre no urbano refletem em nova dinâmica no espaço intra-urbano, apresentando novas centralidades atreladas às novas localizações de grupos – empresas de comércio e de serviços, favorecendo a fragmentação espacial. Portanto, explicita-se uma nova dinâmica espacial."
 

Atuação da esfera pública:

... "ao que se refere aos investimentos públicos, pois o adensamento torna-se acentuado em setores com infra-estrutura instalada ou que recebam mais investimentos públicos, conseqüentemente favorecendo a formação das novas centralidades. Existe ainda outro aspecto, o da periferia, que, por ser menos provida de investimentos públicos não atrai investimento privado, logo não é favorecida em seu desenvolvimento. Enfim, as novas centralidades estão relacionadas em grande parte ao poder público que pode interferir diretamente na morfologia da cidade, assim como também na complexa relação sócio-espacial urbana. Nota-se a importância da gestão urbana comprometida com o social para direcionar o crescimento urbano considerando questões como ás mudanças sócio espaciais discutidas neste artigo e que permeiam as novas centralidades e a relação centro – periferia."


http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1982-45132009000300010&lng=en&nrm=iso